Qui, 15 de outubro de 2026

Fapese destaca a importância da pesquisa e do ensino público para o desenvolvimento de Sergipe

No dia do professor, a Fundação reforça a importância do apoio aos docentes cujos projetos fortalecem a ciência, a tecnologia e a inovação contribuindo para a transformação social

Celebrado em 15 de outubro, o Dia dos Professores é uma oportunidade de reconhecer o papel dos profissionais que atuam na formação de pessoas, na produção do conhecimento e na construção de uma sociedade mais justa e desenvolvida. Nas universidades públicas federais, essa contribuição ganha uma dimensão ainda mais ampla, pois, além do ensino, professoras e professores também atuam na pesquisa científica, na extensão universitária e na formação de novos pesquisadores.

Em Sergipe, a Universidade Federal de Sergipe (UFS) é um dos principais espaços de produção e compartilhamento do conhecimento. A instituição conta com 1.310 professores em seu quadro de pessoal, dos quais 1.069 integram o quadro permanente ou efetivo. Mais de 60% desses docentes efetivos possuem título de doutorado, formação que contribui para o desenvolvimento de pesquisas, a orientação de estudantes e a consolidação da pós-graduação.

As estimativas apontam que entre 700 e 800 professores da UFS atuam ativamente como pesquisadores, distribuídos entre programas de mestrado, doutorado e projetos científicos. A universidade abriga ainda 226 grupos de pesquisa formalmente registrados e certificados junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), reunindo docentes e estudantes em iniciativas que investigam diferentes áreas do conhecimento e buscam respostas para desafios da sociedade.

Os números ajudam a dimensionar a importância da universidade pública para o desenvolvimento científico e tecnológico. Por trás de cada pesquisa, há profissionais dedicados à investigação, à orientação acadêmica e à construção de soluções que podem gerar impactos na saúde, na educação, no meio ambiente, na economia e em diversas outras áreas do conhecimento.

Pesquisa e ensino caminham juntos

Dados da Plataforma Lattes indicam que o Brasil possui cerca de 2,3 milhões de professores em todos os níveis de ensino. Na mesma plataforma, aproximadamente 199.566 pesquisadores estão cadastrados em grupos de pesquisa, dos quais cerca de 129 mil são doutores. No ensino superior público, a relação entre ensino e pesquisa é especialmente importante.

A produção científica permite que o conhecimento construído em sala de aula seja continuamente atualizado, enquanto a participação de estudantes em projetos de investigação amplia a formação acadêmica e estimula o pensamento crítico, a criatividade e a busca por soluções para problemas concretos. Nesse contexto, valorizar professoras e professores também significa reconhecer a necessidade de investimentos em infraestrutura, financiamento, formação de equipes e condições adequadas para a execução de projetos científicos e de extensão.

Para que isso aconteça, a Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe (Fapese) desempenha um papel estratégico. Ao apoiar projetos de pesquisa, ensino e extensão, a Fundação contribui para aproximar o conhecimento produzido nas instituições acadêmicas das necessidades da sociedade, oferecendo suporte à gestão e à execução de iniciativas que podem gerar resultados para Sergipe.

Professora e presidente da Fapese, Maíra Bittencourt destaca que reconhecer o trabalho docente também é reconhecer a importância de criar condições para que as ideias se transformem em projetos e os projetos produzam resultados concretos.

“Celebrar o Dia dos Professores é reconhecer profissionais que dedicam suas trajetórias à formação de pessoas e à construção do conhecimento. Nas universidades públicas, esse trabalho também se traduz em pesquisas, projetos de extensão e iniciativas que ajudam a compreender e enfrentar desafios da sociedade. A Fapese tem o compromisso de apoiar essas iniciativas, contribuindo para que professores e pesquisadores encontrem suporte para desenvolver seus projetos e ampliar o alcance dos resultados produzidos nas universidades”, ressalta Maíra.

Neste sentido, a atuação de uma fundação de apoio é importante porque a realização de um projeto científico envolve diferentes etapas, que vão além da investigação acadêmica. Planejamento, organização administrativa, gestão de recursos, acompanhamento da execução e prestação de contas também fazem parte desse processo. Com o suporte adequado, pesquisadores podem contar com melhores condições para conduzir suas iniciativas e concentrar esforços na produção do conhecimento.

Valorizar quem transforma conhecimento em futuro

O Dia dos Professores reforça que a educação e a ciência são construídas coletivamente. Cada aula, orientação, experimento e publicação integra um processo contínuo de formação e transformação social. Ao lado dos docentes, estudantes, técnicos, instituições de ensino e organizações de apoio compõem uma rede fundamental para o desenvolvimento científico.

Nas universidades federais, essa rede permite que o conhecimento ultrapasse os limites dos laboratórios e das salas de aula, alcançando comunidades, serviços públicos, empresas e diferentes setores da sociedade. Ao reconhecer a contribuição de professoras e professores, a Fapese reafirma a importância de fortalecer parcerias com a comunidade acadêmica e apoiar projetos que ampliem as possibilidades da pesquisa, do ensino e da extensão.

Essa participação se reflete nos projetos apoiados pela Fundação. Cerca de 90% das iniciativas de pesquisa, ensino e extensão gerenciadas pela Fapese contam com professores da UFS em atividades de coordenação e execução. O dado mostra a importância da presença dos docentes nas diferentes etapas dos projetos, desde a concepção da proposta ao desenvolvimento das atividades junto aos bolsistas, e na formação científica dos estudantes.

Professora do Departamento de Química da UFS há 21 anos e coordenadora de projetos de pesquisa apoiados pela Fapese, Eliana Midori é um exemplo da contribuição dos docentes para a formação de novos pesquisadores. O reconhecimento desse trabalho reflete na trajetória de Cícero Inácio, pós doutor em química, que teve contato com a professora ainda na graduação e hoje desenvolve pesquisas no grupo coordenado por ela.

“A professora Midori faz parte da minha formação desde a graduação, que cursei na UFS, em Itabaiana, em 2007. Ela foi minha professora de Química e um dos primeiros contatos que eu tive com essa área, ajudando a despertar meu interesse pela ciência. Se hoje sou doutor, pesquisador, formado em Química e Ciência de Materiais, e continuo atuando com pesquisa aqui no grupo dela, é pelo modo que ela inspira pesquisadores e pesquisadoras, desde a Iniciação Científica”, afirma Cícero.

Da esquerda para direita: Cícero Inácio, Victor Mateus – mestrando do Programa de Pós-Graduação em Química, e Prof. Eliana Midori.

Para Eliana Midori, uma das maiores recompensas da docência é acompanhar de perto a evolução dos estudantes ao longo da formação acadêmica. A professora ressalta que a relação construída no ambiente de pesquisa pode permanecer por muitos anos, passando pela graduação e se estendendo à pós graduação.

“O mais gratificante para mim, nesses 21 anos que eu estou na UFS, é o contato com os alunos. Eu tenho alunos que estão há 13 anos comigo. Eles entraram para Iniciação Científica aqui no laboratório, fizeram mestrado, doutorado e agora estão fazendo pós-doutorado comigo. Então, ver a evolução desses alunos durante a graduação e a pós-graduação, para mim, é mostrar que já consegui tudo o que eu queria na vida”, relata.

Ao lado dos professores e das instituições de ensino, como a UFS, a Fapese segue atuando para viabilizar iniciativas acadêmicas e fortalecer a produção científica em Sergipe, reconhecendo que investir em educação pública e ciência é contribuir para o futuro da sociedade.