Fapese impulsiona inclusão em Sergipe com o projeto “Construindo Soluções para Pessoas com Deficiência e TEA”

Para muitas pessoas com deficiência e com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a rotina fora da sala de aula ainda é marcada pelo isolamento e pelas dificuldades de socialização. Sem oportunidades de convivência e interação, estudantes como Gustavo Santos encontravam nas tecnologias a principal companhia para o tempo livre. Esse cenário, no entanto, começou a mudar com iniciativas como o projeto “Construindo Soluções para Pessoas com Deficiência e TEA”, gerenciado pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe, que promove inclusão, autonomia e fortalecimento dos vínculos sociais.
Coordenado pela professora Bárbara Rosa, docente do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), o projeto une tecnologia e inovação para transformar a realidade desse público. As ações atendem, em especial, os discentes da UFS acolhidos na Ilha da Inclusão, espaço destinado ao acolhimento, suporte pedagógico e desenvolvimento de ações de acessibilidade e inclusão no campus São Cristóvão.
De acordo com a coordenadora do projeto, a urgência de iniciativas como esta se reflete nos dados de acesso ao ensino superior. Bárbara Rosa aponta que o ingresso de pessoas com deficiência na UFS, por meio das cotas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), apresenta um crescimento de 26% ao ano. Desse total, os estudantes com TEA representam a maior parcela. ter um espaço de inclusão e acolhimento facilita a inclusão acadêmica e social dos alunos com deficiência.
“Desses alunos que entram pelo Sisu, 45% têm o Transtorno do Espectro Autista. Então, a gente precisa focar em soluções e em ambientes para que essas pessoas socializem e se comuniquem, porque tudo isso vai refletir diretamente dentro da sala de aula”, explica a professora. Ela destaca que o projeto atua fortemente no desenvolvimento de soluções pedagógicas, recursos de automatização e no processo de validação de tecnologias voltadas para a pessoa com deficiência.
Um dos diferenciais do projeto é o uso da tecnologia avançada para o desenvolvimento das atividades, a exemplo do óculos Meta Ray Ban, adquiridos para auxiliar no desenvolvimento de novas ferramentas inclusivas e de comunicação. O estudante de fonoaudiologia e bolsista do projeto, Tércio Samuel, explica que o dispositivo contribui para o tratamento de jovens com deficiência auditiva, por exemplo.
“Uma das funcionalidades do Óculos da Meta é justamente a questão da tradução simultânea. Então, a gente está também fazendo alguns testes, justamente porque o óculos consegue traduzir em tempo real e mandar tudo para o nosso aplicativo da Meta. Então, ele é um ótimo recurso para as pessoas que têm alguma deficiência auditiva, que não conseguem realmente entender aquela determinada conversa, eles podem ativar essa função de tradução simultânea, ativar a opção daquela determinada língua, seja português ou inglês, que será tudo enviado para o aplicativo também, essa pessoa pode acompanhar e participar dessa conversa também”, destacou o estudante.
Além dessa tecnologia, o projeto utiliza a inovação para desenvolver recursos terapêuticos customizados, como objetos sensoriais construídos em impressoras 3D, que auxiliam os jovens a manterem o foco, acalmarem-se durante crises de ansiedade ou lidarem com o estresse.
A personalização é o segredo para o sucesso dessas ferramentas. Por isso, as oficinas aplicadas no projeto utilizam estratégias terapêuticas totalmente adaptadas aos gostos e interesses de cada estudante. A professora Bárbara Rosa ressalta que essa abordagem individualizada é fundamental para o engajamento dos jovens.
“Quando a gente traz o interesse do próprio aluno para dentro da atividade, ele sente prazer em estar ali e fica com muita vontade de realizar as tarefas. Não é algo imposto, é algo que faz sentido para a realidade dele”, explica a coordenadora.
Um exemplo do uso dessa metodologia é o próprio Gustavo Santos. Por ter hiperfoco em futebol, a equipe do projeto desenvolveu estratégias personalizadas para o seu acompanhamento, como a criação de um jogo de futebol de botão. A atividade lúdica serve de ponte para trabalhar a comunicação e a coordenação, transformando o interesse do estudante em uma ferramenta de desenvolvimento.
Os reflexos desse suporte atingem diretamente no bem-estar e na permanência do estudante no ambiente universitário. Para Gustavo, ser atendido no projeto é fundamental para a sua rotina. “Eu gosto de estar aqui. Todas as terças-feiras, eu venho para a Ilha da Inclusão e quando o atendimento acaba, retorno para casa muito tranquilo”, relatou.
Serviço
As atividades e oficinas do projeto “Construindo Soluções para Pessoas com Deficiência e TEA” são realizadas na Ilha da Inclusão, situada no campus São Cristóvão da UFS. Para mais informações sobre as ações e formas de ingresso no programa, os interessados podem acessar o perfil oficial no Instagram: @solucoespcd.tea.